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IROKODVida cotidiana no passado
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Glossário

As definições abaixo acompanham o uso nos guias. Um mesmo vocábulo pode mudar de sentido entre Roma, a vila medieval e o Império brasileiro; quando isso ocorre, o artigo específico prevalece.

Agogé
Educação coletiva dos meninos cidadãos em Esparta, de caráter militar e institucional, conhecida por fontes tardias e parciais.
Agogê
Educação coletiva espartana dos rapazes cidadãos, que deslocava parte da criação para fora da casa paterna.
Agregado
Morador livre ou liberto em terra alheia, preso por favor, renda ou dívida, sem título pleno.
Aguamanil
Jarro e bacia para lavar as mãos à mesa, objeto de etiqueta e de higiene visível.
Agência de notícias
Empresa que recolhe e vende despachos a vários jornais; Havas, Wolff e Reuters moldaram o mercado europeu.
Aldeamento
Núcleo sob missão ou Estado em que o cuidado próprio era substituído ou vigiado por enfermaria e catequese.
Alódio
Terra relativamente livre de senhorio, transmitida na família; sua frequência muda com a região.
Ama
Mulher que cuidava e, em muitos lares, amamentava criança alheia, em geral preta ou pobre.
Ama de leite
Mulher paga ou obrigada a amamentar o filho de outra casa, comum na elite; altera o vínculo e a demografia do peito.
Amancebamento
União estável sem sacramento, frequente entre pobres, libertos e também em relações assimétricas de elite.
Angu
Massa de milho ou de farinha, barata e frequente na dieta de trabalhadores urbanos e rurais.
Anona
Abastecimento público de trigo (e depois outros gêneros) em Roma, ligado à política da plebe urbana.
Arroteamento
Abertura de terra nova (bosque, pântano) nos séculos de expansão, muitas vezes sob foro privilegiado de vila nova.
Arte dos Médicos e Especiários
Guilda florentina que, entre outros ofícios, acolhia pintores, por causa dos pigmentos e das receitas.
Aula avulsa
Cadeira isolada, muitas vezes em casa do mestre, sem seriação nem prédio próprio.
Autos de órfãos
Processos de tutela e partilha que revelam patrimônio, maus-tratos e estratégias familiares em torno de menores.
Avviso
Folha manuscrita de notícias políticas e mercantis, circulada em cidades italianas e além, parente da carta e do jornal.
Baciada
Lavagem com bacia e jarro no quarto, prática corrente mesmo depois da invenção de sistemas de encanamento.
Baedeker
Série alemã de guias de viagem, a partir de 1830, que padronizou roteiros, hotéis e tempos de visita.
Balneum
Banho de escala menor que as grandes termas públicas, doméstico ou de bairro.
Batuque
Termo de época para ajuntamentos de dança e percussão de matriz africana, frequentemente criminalizados.
Beguina
Mulher que vivia piedade comunitária sem votos solenes plenos, sobretudo em cidades do Noroeste europeu.
Bico de gás
Queimador que regula a chama do gás de carvão; seu aperfeiçoamento (como o bico de Argand aplicado a vários combustíveis) muda o rendimento.
Botequim
Pequeno estabelecimento de bebida e comida, ponto de encontro masculino da classe trabalhadora em várias cidades.
Botica
Estabelecimento que preparava e vendia medicamentos, às vezes sob responsabilidade de boticário examinado.
Bottega
Oficina-casa italiana onde se produzia, vendia e formava gente do ofício.
Cabotagem
Navegação de porto a porto ao longo da costa, que escoava açúcar, farinha e gente.
Cadeira
Posto oficial de professor, com ordenado e local; muitas permaneceram vagas por anos.
Cadeirinha / liteira
Assento coberto carregado por pessoas, em geral escravizadas, usado por elites urbanas para atravessar lama e exibir status.
Calcio
Jogo coletivo florentino, de bola e de honra de bairro, associado a festas cívicas.
Calundu
Termo colonial para cerimônias afro-brasileiras de posse, cura e adivinhação, perseguidas como feitiçaria.
Caminho Novo
Rota entre o Rio de Janeiro e as Minas, aberta no início do século XVIII para encurtar e fiscalizar o tráfego do ouro.
Camisa de linho
Peça que tocava a pele; trocá-la e lavá-la era, para muitos autores medievais e modernos iniciais, o gesto central de limpeza.
Candeia
Lamparina de óleo com pavio, de modelos rurais e urbanos, anterior e paralela ao querosene.
Capital Federal
Designação do Rio de Janeiro como sede do governo da República até a transferência posterior para Brasília.
Carne-de-sol
Carne salgada e seca ao ar, típica de zonas sertanejas, distinta do charque mais salgado e de longo comércio.
Casa das caldeiras
Setor em que o caldo ferve em tachos; calor, fumaça e queimaduras definem o risco do ofício.
Casa de banhos
Estabelecimento público ou comercial onde se pagava para banhar-se, importante onde faltava água quente doméstica.
Casa de cômodos
Imóvel dividido em quartos alugados a famílias ou indivíduos, comum nas áreas centrais densas.
Casa de purgar
Espaço onde o açúcar escorre e clareia nas formas, antes do encaixotamento para o porto.
Casa dos homens
Edifício cerimonial masculino atestado em alguns povos do Brasil Central e do Xingu; não existe em todas as sociedades originárias.
Cerveja de cevada
Bebida-alimento produzida a partir de cereais maltados ou de pães; teor e densidade variavam conforme o lote e o destino.
Cerveja fraca
Bebida de baixo teor, frequentemente doméstica, consumida no Norte como parte da refeição, não só como embriaguez.
Charque
Carne bovina salgada e seca, produzida sobretudo no Sul e no Nordeste, comum em ração e em viagem.
Cirurgião-barbeiro
Oficial que sangrava, extraía dentes e tratava feridas, em geral fora do currículo pleno da faculdade de medicina.
Coeducação
Reunião de meninos e meninas na mesma escola ou classe, objeto de debate moral e pedagógico.
Colonato
Regime de imigrantes em fazendas de café, com contrato familiar, eito e, muitas vezes, armazém do patrão.
Colégio de Pedro II
Estabelecimento secundário criado em 1837 no Rio, modelo de humanidades e de diploma imperial.
Comissário
Intermediário urbano que financiava o fazendeiro e vendia a safra na praça portuária.
Compadrio
Laço de batismo que criava parentesco espiritual e podia proteger ou atar a criança à casa do padrinho.
Companhia de gás
Empresa, muitas vezes concessionária municipal, que produzia gás de carvão e o distribuía por canos.
Companágio
Tudo o que acompanhava o pão: queijo, toucinho, legumes, caldo. Em muitos orçamentos, o pão era o centro e o resto, o complemento.
Concessionária
Empresa que recebia da municipalidade o direito de explorar linhas, em geral com monopólio e obrigações de tarifa.
Confraria
Associação leiga dedicada a um santo, a um ofício ou à assistência, com missas e enterro coletivo.
Congada
Cortejo dramático-musical de irmandades negras, com reis, embaixadas e tambores, de formas regionais diversas.
Consilium
Parecer médico escrito para um paciente ou para uma cidade, comum na peste e em doenças de notáveis.
Constituições primeiras da Bahia
Normas eclesiásticas de 1707 que tentaram regular missa, casamento, clero e costumes na América portuguesa.
Contrarreforma festiva
Uso, após Trento, de procissão e teatro sacro para disciplinar e impressionar o fiel.
Contrato de aprendiz
Acordo, em geral urbano, que liga o jovem a um mestre por anos, com obrigações de ensino, comida e disciplina.
Contrato de aprendizagem
Escritura que fixava anos, comida, deveres e penas; base jurídica da rotina do menor na oficina.
Coroner’s roll
Registro inglês de mortes acidentais; fonte preciosa para o trânsito de crianças na cidade e no campo.
Correio-mor
Ofício, em Portugal, de organizar malas e portadores; por muito tempo arrendado, de cobertura desigual.
Corrente interna
Comércio de cativos do Norte e Nordeste para o Sudeste cafeeiro no século XIX, após o recuo do tráfico atlântico.
Cortiço
Moradia coletiva urbana, em geral alugada por cômodos, associada pelas autoridades a superlotação e risco sanitário.
Corveia
Dias de trabalho devido na reserva do senhor, sobretudo em sementeira e colheita; a carga varia com o costume local.
Cuneiforme
Escrita de sinais em forma de cunha, impressos em argila, usada para contas, leis, cartas e literatura.
Câmara de retórica
Associação urbana, sobretudo nos Países Baixos, que encenava peças e concursos de verso em festas.
Código de Gortina
Inscrição legal cretense arcaica sobre família, adoção e bens, prova de que o direito doméstico não era só ateniense.
Código de Menores de 1927
Legislação que tentou regular infância abandonada e trabalhador menor, de aplicação limitada e tardia no período.
Deir el-Medina
Vila de artesãos do Reino Novo, no oeste de Tebas, cuja documentação revela pagamentos e consumo com detalhe raro.
Desquite
Separação de corpos e de bens que não dissolvia o vínculo canônico; via rara e custosa.
Dia de magro
Jornada de abstinência de carne de sangue quente, segundo o calendário eclesiástico local.
Diligência
Carruagem de linha regular com troca de cavalos em postos, principal transporte coletivo rodoviário até a ferrovia.
Dilmun, Magan, Meluhha
Topônimos de rotas do Golfo e além, associados a cobre, pedras e madeira nas inscrições do sul.
Diretório
Regime pombalino de aldeias indígenas sob diretor leigo, após a expulsão jesuítica, com outra disciplina do cotidiano.
Diretório dos Índios
Regimento pombalino de 1757 que secularizou aldeamentos e submeteu menores indígenas a uma tutela estatal de trabalho e costumes.
Domus
Residência urbana térrea, em geral de família abastada, organizada em torno de átrio e, muitas vezes, peristilo.
Dote
Bens que a família da noiva transferia ao casal; seu peso declina em algumas regiões ao longo do século XIX.
Dote têxtil
Conjunto de roupas e roupa de cama que a noiva levava ao casamento, frequentemente listado em contratos.
Dízimo
Prestação, em geral em espécie, devida à igreja local ou ao senhor eclesiástico, objeto de conflito frequente.
Economia doméstica
Saber prescritivo, em geral dirigido a mulheres, sobre limpeza da casa, da roupa e das crianças.
Edis
Magistrado encarregado, entre outras funções, de fiscalizar mercados e medidas.
Efebia
Serviço formativo de jovens cidadãos, sobretudo helenístico e ateniense tardio, ligado ao ginásio e à defesa.
Eito
Turma de trabalho forçado na lavoura, sob feitor, unidade de tempo e de castigo na fazenda escravista.
Emmer
Trigo vestido (Triticum dicoccum) muito usado no Egito dinástico, descascado antes da moagem.
Ensino mútuo (Lancaster)
Método em que alunos monitorados repetem a lição aos colegas, pensado para baratear o mestre único.
Entrada real
Cerimônia de recepção de um príncipe na cidade, com arcos, versos e hierarquia de ofícios.
Entrudo
Festa pré-quaresmal de rua, com água, farinha e limões de cheiro, combatida por posturas ao longo do século XIX.
Escola isolada
Aula de um só docente, em geral no meio rural, reunindo alunos de idades diversas.
Escola normal
Instituição de formação de professores primários, crescentemente frequentada por mulheres.
Escravo de ganho
Cativo obrigado a trabalhar na rua e a entregar ao senhor uma quantia periódica, comum nos portos.
Esponsais
Promessa de casamento; seu descumprimento podia gerar processo, sobretudo quando havia relação sexual e gravidez.
Estado de sítio
Medida excepcional que, em vários governos da República Velha, restringiu a imprensa oposicionista.
Estribo
Degrau lateral por onde se embarcava, ponto frequente de acidentes e de viagem irregular.
Estrígil
Haste curva de metal ou osso usada para raspar óleo e sujeira da pele após o exercício ou o calor.
Estufa
Casa de banho urbana com calor, vapor ou tinas pagas, frequente em várias cidades dos séculos XIII–XV.
Evergetismo
Prática de notáveis financiavam banhos, fontes ou jogos para obter prestígio cívico.
Exposto
Criança abandonada ou entregue a instituição, herdeira das rodas e dos asilos religiosos.
Farinha de mandioca
Produto de raiz ralada e torrada, base calórica de grande parte do Brasil imperial, com tipos regionais.
Farmacopeia local
Conjunto de plantas e preparos de um território e de um povo, inseparável, em muitos casos, de canto e de tabu.
Feira de Champagne
Ciclo de reuniões comerciais nos condados de Champagne, nos séculos XII e XIII, eixo entre Itália e Flandres.
Festa de guarda
Dia em que o trabalho servil deveria cessar e a missa ser ouvida, além dos domingos.
Festa do Divino
Ciclo do Espírito Santo, com império, bandeira, esmolas e cortejo, estudado por Martha Abreu no Rio imperial.
Folhetim
Narrativa publicada em capítulos no rodapé do jornal, estratégia de venda e de hábito de leitura.
Foro / censo
Prestação em dinheiro, em grão ou em animais que o cultivador deve, além ou em vez da corveia.
Fossa
Depósito de dejetos no lote ou no prédio, anterior ou paralelo à rede de esgoto, fonte de cheiro e de debate médico.
Frigidário, tepidário, caldário
Salas fria, morna e quente do percurso termal clássico; nem todo estabelecimento tinha as três com o mesmo luxo.
Gabinete de leitura
Sala paga ou associativa onde se liam jornais e revistas sem comprar cada título.
Garum
Molho de peixe fermentado, produto de longo comércio, visível em ânforas e em lojas de condimento.
Gibão
Peça masculina ajustada ao tronco, usada sobre a camisa; cortes e enchimentos mudam ao longo do século XVI.
Grammatistés
Mestre pago de leitura, escrita e cálculo elementar, em geral em espaço particular.
Greve de 1917
Mobilização iniciada em São Paulo, com adesões em várias categorias, em contexto de carestia da guerra.
Grupo escolar
Escola primária graduada em séries, com várias classes e prédio próprio, vitrine da instrução republicana em diversos estados.
Grã
Corante vermelho caro, associado a prestígio; seu uso era alvo frequente de regulamento.
Guilda
Corporação urbana que regula aprendizagem, qualidade e direito de exercer um ofício têxtil ou de costura.
Habilitação matrimonial
Processo eclesiástico que reunia certidões e testemunhas antes da cerimônia.
Havas
Agência fundada em Paris em 1835, matriz de um modelo europeu de despacho comercial e político.
Hekura
Na cosmologia yanomami, seres com os quais o xamã se relaciona no trabalho de cura e de guerra espiritual.
Hemeroteca
Coleção de jornais e revistas; no Brasil, a Digital da Biblioteca Nacional é o maior acesso público.
Hetaíra
Companheira de festins, de estatuto distinto da esposa cidadã; algumas acumularam riqueza e letramento.
Hipocausto
Sistema de ar quente sob o piso e nas paredes das salas aquecidas das termas e de algumas casas ricas.
Horrea
Armazéns de grão, azeite e mercadorias, frequentemente junto a portos e fóruns.
Horário Bradshaw
Compilação britânica de horários ferroviários, símbolo da nova disciplina do relógio público.
Hotel-Dieu
Tipo de hospital urbano ligado à catedral ou à cidade, voltado a pobres e doentes, com forte componente litúrgico.
Huipil
Túnica feminina mesoamericana de algodão, tecida em tear de cintura, com variações regionais de desenho.
Humores
Quatro fluidos (sangue, fleuma, bílis amarela, bílis negra) cuja proporção, na teoria galênica, explicava saúde e doença.
Idade da discrição
Limiar, variável nos tratados, em que a criança era tida como capaz de pecado e de certos atos jurídicos.
Imprensa operária
Jornais de ligas, de ofícios e de correntes anarquistas ou socialistas, de tiragem pequena e vida instável.
Infeccionismo
Corrente que atribuía doenças a emanações do ambiente — lixo, pântano, cortiço — mais do que ao contágio pessoa a pessoa.
Inspetoria
Órgão de ensino ou de trabalho que, em tese, fiscalizava idade e horário, com equipe escassa.
Inspetoria de ensino
Órgão estadual que visitava escolas, cobrava programas e produzia relatórios de frequência e higiene.
Internato
Colégio ou asilo com regime de internamento, destino de elites e, noutro polo, de órfãos.
Irmandade
Associação leiga de culto, enterro e ajuda mútua, estratificada por cor, ofício e renda.
Irmandade do Rosário
Associação leiga, frequente entre pretos, que garantia enterro, festa e algum amparo coletivo.
Jejuar
Abstinência católica de carne em certos dias, cumprida de modo desigual conforme a oferta de peixe e a fiscalização.
Jenipapo
Fruto cuja tinta escura, duradoura, é usada em pinturas corporais de diversos povos das terras baixas.
Jornaleiro
Menino — em geral — que vendia jornais nas ruas, figura visível dos centros urbanos.
Junta de higiene
Órgão oficial que propunha medidas sanitárias, isolamento e normas urbanas, com força variável conforme a política local.
Kallawaya
Itinerário andino de especialistas de cura, com farmacopeia de altitude e reconhecimento internacional específico.
Kaneš (Kültepe)
Sítio na Anatólia com arquivo paleoassírio de cartas e contratos, núcleo do comércio de Assur no início do segundo milênio.
Kumu
Especialista de povos do Alto Rio Negro, com formação longa em canto, dieta e conhecimento de doença.
Kyrios
Tutor masculino que representava mulheres e menores cidadãs em juízo e nos contratos em Atenas.
Lacre
Cera com sinete que fechava a dobradura; romper o lacre alheio era ofensa e, em certos regimes, delito.
Latrina foricata
Privada coletiva com assentos em série, frequentemente sem divisórias, ligada a água de enxágue quando o sítio permitia.
Lavabo
Pia de mosteiro ou de casa, em geral junto ao refeitório, para lavar as mãos antes da refeição.
Lavrador de cana
Produtor, em geral livre, que planta cana e depende da moenda do senhor de engenho.
Lei de 1861
Norma imperial que admitiu efeitos civis ao casamento de pessoas que não professavam a religião do Estado, sob condições.
Lei suntuária
Norma urbana ou principesca que limita tecidos, cores, peles ou joias segundo o estatuto de quem veste.
Leitura em voz alta
Prática que estendia o jornal a analfabetos em botequins, residências e locais de trabalho.
Leprosaria
Instituição que apartava pessoas com hanseníase ou com diagnóstico assimilado; regra, dote e crueldade variavam.
Letra de câmbio
Instrumento de crédito e de transferência de valor entre praças, usado por companhias sobretudo italianas.
Libré
Vestuário padronizado dado a criados e dependentes, que exibia as cores da casa do patrão.
Liceu
Estabelecimento de ensino secundário, em geral masculino e urbano, herdeiro de instituições oitocentistas.
Liga operária
Associação de ofício ou de resistência, anterior ou paralela ao sindicato de tipo posterior.
Light
Nome corrente, no Rio e em São Paulo, de companhias de eletricidade e transporte ligadas a capital estrangeiro.
Limão de cheiro
Cera perfumada usada como projétil no entrudo, objeto de anúncio comercial e de proibição.
Linotipo
Máquina de composição em linhas de chumbo, que acelerou a oficina no fim do século XIX e no início do XX.
Lista negra
Relação de grevistas compartilhada entre patrões para impedir a recontratação.
Livro de despesas
Registro doméstico ou conventual de compras, fonte privilegiada para preços e gêneros da casa letrada.
Lixívia
Solução de cinza e água usada para lavar panos e, às vezes, cabelos; de concentração variável e risco para a pele.
Luz de Argand
Tipo de candeeiro de pavio tubular e chaminé de vidro, de final do século XVIII, ainda central no XIX por sua chama mais regular.
Lápis-lazúli
Pedra de azul caro, moída para o ultramarino; muitas vezes paga à parte pelo cliente.
Macellum
Edifício de mercado de provisões, em geral com pátio e lojas, sujeito a fiscalização de pesos.
Maloca
Casa coletiva, em geral de estrutura vegetal e cobertura de palha, que abriga vários fogos familiares; a forma muda conforme o povo e a região.
Manor / seigneurie
Unidade de poder rural, com tribunal e rendas; o nome inglês e o francês não descrevem o mesmo mapa institucional.
Matrícula de escravos
Registro obrigatório após a lei de 1871, fonte seriada para idades, ofícios e fugas no campo tardio.
Medidor de gás
Aparelho da companhia que transformava a luz em conta mensal e em suspeita de fraude.
Menor
Categoria jurídica e jornalística que misturava criança trabalhadora, órfã e acusada de infração, com forte viés de classe.
Mercado semanal
Reunião local ordinária de víveres e utilidades, distinta da feira cíclica de longo curso.
Meteco
Estrangeiro residente na pólis, livre, tributado, sem direitos políticos plenos.
Miasma
Emanação considerada doentia, atribuída a pântanos, fossas e lixo, eixo de muita política sanitária até a afirmação da bacteriologia.
Misericórdia
Irmandade de elite que administrava hospital, enterro de pobres e, em várias cidades, a Roda dos Expostos.
Monção
Expedição fluvial sazonal, sobretudo paulista rumo ao Cuiabá, dependente da cheia dos rios.
Moquém
Grelha alta sobre fogo lento, técnica indígena de secar e defumar carne ou peixe.
Motorneiro
Trabalhador que conduzia o carro elétrico, responsável pelos controles e pela segurança imediata da composição.
Mucambo
Habitação pobre de palha, barro ou restos, no arrabalde ou no terreiro, termo de época com carga pejorativa.
Muleque / moleque
Classificação etária e mercantil de crianças cativas em inventários; o termo de rua livre veio depois, com outro tom.
Máscara de carnaval
Disfarce temporário, permitido em datas e ruas específicas, sujeito a multa quando atravessava o limite da sátira.
Médico de partido
Facultativo contratado por câmara ou particular para atender uma vila, uma fazenda ou um grupo de famílias.
Mó sela
Pedra de moer sobre a qual se esfrega outra pedra; o gesto repetido marca esqueletos, sobretudo de mulheres.
Nação
Agrupamento de mercadores da mesma origem urbana ou regional, com rua, cônsul e privilégios próprios na feira.
Negro de ganho
Pessoa escravizada autorizada a trabalhar nas ruas, inclusive como condutor ou carregador, rendendo ao senhor.
Nundinae
Dias de feira no ciclo italiano, que articulavam o campo à vila comercial.
Oblato
Criança oferecida pelos pais a um mosteiro, para ser criada sob a regra; prática depois limitada pela Igreja.
Obra-prima
Peça de exame com que o candidato pedia admissão plena à guilda; critério e custo variavam por cidade.
Oca
Termo de origem tupi vulgarizado para qualquer casa indígena; no uso editorial, deve-se preferir o nome específico da construção e do povo.
Oferta funerária
Lista ou representação de alimentos destinados ao morto; documenta o ideal ritual, não necessariamente a refeição diária em vida.
Oficial (lavorante / Geselle)
Artesão já formado que trabalhava a salário ou por tarefa, sem ser ainda mestre independente.
Ofício das horas
Ciclo diário de oração coral nos mosteiros e cabidos, distinto da missa paroquial dos leigos.
Oikos
Unidade doméstica que reúne casa, patrimônio, livres e escravizados, com culto aos antepassados e ao lar.
Padroado
Arranjo em que a Coroa portuguesa apresentava bispos e vigários e financiava parte do culto, ligando altar e Estado.
Pagamento por peça
Remuneração conforme a quantidade produzida, que acelerava o ritmo e penalizava a pausa.
Paideia
Formação cultural do cidadão, que podia incluir letras, música, ginástica e, na elite, retórica e filosofia.
Paiol
Depósito de farinha, milho e mantimentos, alvo de umidade, rato e, nas contas, de desvio.
Pajé
Termo de origem tupi, generalizado nas fontes, para especialistas rituais de cura e mediação; o ofício real varia por povo.
Palaestra
Pátio de exercício anexo a muitas termas, espaço de treino, conversa e exibição do corpo masculino.
Palestra
Área de treino físico, ligada ao ginásio, com luta e exercícios sob o paidotribes.
Paliçada
Cerca de estacas em torno da aldeia, descrita em vários relatos litorâneos; indica guerra e defesa, não um padrão universal.
Palmatória
Instrumento de castigo físico aplicado às mãos, ainda comum em muitas escolas do período.
Pano de lã
Tecido principal do vestuário setentrional, em qualidades que iam do grosso camponês ao fino urbano.
Parteira
Mulher que assistia partos, com saber prático transmitido; no século XIX, objeto de tentativas de regulamentação médica.
Paróquia
Circunscrição territorial com igreja, cura e direitos sobre batismo, casamento e enterro dos moradores.
Pasquim
Folha de injúria ou de combate, em geral de curta duração e de circulação restrita.
Passamanaria
Ofício dos galões, franjas e aplicações que decoravam trajes e livrarias de móveis.
Pau a pique
Trama de madeira revestida de barro, técnica leve e inflamável, frequente em construções modestas.
Pedagogo
Escravizado (ou, mais tarde, servo) que conduzia o menino à aula e vigiava sua conduta.
Pelourinho
Poste de justiça e de suplício no centro da vila, marca do poder régio e senhorial sobre o corpo.
Peristilo
Jardim interno cercado de colunas, espaço de sombra, representação e circulação na casa rica.
Peso selado
Padrão oficial de medida da feira, tentando reduzir fraude nas peças de pano e nas especiarias.
Peça
Unidade de conta do tráfico e dos inventários para uma pessoa escravizada adulta; o termo reduz o corpo a mercadoria.
Porte
Preço do transporte da carta, muitas vezes pago pelo destinatário ao receber, o que desestimulava o envio popular.
Postura municipal
Norma da câmara ou da prefeitura que regulava rua, comércio ambulante, limpeza e costumes no espaço público.
Prata pesada
Metal usado como padrão de valor e meio de pagamento em contratos, sem cunhagem no sentido clássico.
Pregão
Venda avulsa e anunciada em voz alta nas ruas, elo final entre a tipografia e quem não assinava o jornal.
Prendas
Costura, bordado e economia doméstica impostos ao currículo feminino na lei de 1827 e na prática posterior.
Primeiras letras
Ensino elementar de ler, escrever e contar, núcleo da escola prevista em 1827.
Proclamas
Anúncios do futuro casamento na missa, para que a comunidade alegasse impedimento.
Promessa
Voto a um santo em troca de cura ou de salvamento; organiza viagens, esmolas e ex-votos no interior.
Pubagem
Decomposição controlada da mandioca-brava para retirar substâncias tóxicas antes de virar farinha ou tucupi.
Purgatório
Doutrina, consolidada na plena Idade Média, de expiação após a morte, que multiplicou missas e legados.
Putting-out
Sistema em que o mercador antecipa matéria-prima a fiandeiras e tecelões domésticos e recolhe o produto acabado.
Pão de mistura
Pão feito com mais de um cereal, comum quando o trigo puro era escasso ou caro.
Querosene
Destilado de petróleo difundido a partir dos anos 1860, que barateou a lamparina doméstica.
Quitanda
Venda de rua, em geral feminina, de doces, frutas e comidas prontas, eixo da alimentação urbana pobre.
Rapadura
Açúcar bruto em bloco, fácil de transportar, usado como caloria de marcha e de roça.
Ração
Porção alimentícia atribuída a escravizados, soldados ou tripulação, objeto de regulamento e de falta.
Ração de cevada
Pagamento em grão a dependentes de instituição, medido por dia, sexo e idade em muitos textos de Ur III.
Registro
Posto fiscal em caminho de ouro ou de gado, onde se cobrava quinto, pedágio ou se controlava passaporte.
Regulamento Couto Ferraz
Reforma de 1854 que reorganizou a instrução no Município da Corte, com inspeção e graus.
Relais
Estação de posta onde se trocavam animais e, às vezes, se comia ou pernoitava.
Relatório Chadwick
Documento britânico de 1842 que associou condições sanitárias, pobreza e mortalidade e influenciou reformas.
Relógio de ponto
Dispositivo de controle de entrada e saída, símbolo da disciplina de fábrica.
República das Letras
Rede de eruditos que trocavam cartas e livros através de fronteiras, em geral em latim e entre homens letrados.
Reserva senhorial
Parte da terra explorada diretamente pelo senhor, distinta dos lotes camponeses.
Resguardo
Conjunto de proibições alimentares e sexuais após parto, doença ou rito, comum em vários povos com regras distintas.
Revolta da Vacina
Insurgência popular no Rio de Janeiro, em 1904, contra a vacinação obrigatória e o modo autoritário da reforma urbana.
Roca
Haste para fiar à mão, anterior ou paralela à roda de fiar, de uso doméstico muito difundido.
Roda dos expostos
Dispositivo giratório em instituições de caridade onde se abandonavam recém-nascidos sem identificar quem os deixava.
Romaria terapêutica
Viagem a um santuário em busca de milagre ou de alívio; deixa rastros em ex-votos e em processos de santo.
Roupa branca
Peças íntimas e visíveis — camisa, colarinho, anágua — cuja troca frequente sinalizava limpeza burguesa.
Roupa de segunda mão
Mercado amplo de peças usadas, doadas ou penhoradas, essencial para vestir quem não encomendava pano novo.
Rótula
Grade ou gelosia de madeira que filtrava luz e olhar nas janelas, associada ao recato doméstico urbano.
Safra
Temporada de corte e fabricação, quando a jornada se estende e o fogo não pode parar sem perda.
Salutatio
Visita matinal de clientes e dependentes à casa do patrono, parte da vida política urbana.
Salvo-conduto
Garantia senhorial ou régia de trânsito e permanência do mercador durante a feira, em troca de taxas.
Sambaqui
Elevação de conchas, ossos e sedimento no litoral, com vestígios de moradia, comida e enterramento, ocupada de modo recorrente.
Santa Casa
Irmandade e hospital de caridade que, nas cidades, acolhia doentes pobres, expostos e, em muitos casos, escravizados em estado grave.
Scuola Grande
Irmandade veneziana de prestígio, que organizava culto, caridade e cortejos visíveis no canal e na praça.
Selo de cilindro
Pedra gravada que, rolada na argila, autentica a tabuleta e identifica o responsável.
Senado da câmara
Corpo municipal de vereadores proprietários que legislava sobre abasto, arruamento e festas.
Senzala
Alojamento de escravizados no estabelecimento rural ou, em sentido amplo, o espaço de dormir dos cativos; a forma varia.
Serão
Reunião noturna doméstica das camadas letradas, com piano, conversa e, por vezes, dança.
Sistema de três campos
Rotação de inverno, primavera e pousio, comum em partes do Norte; não é regra mediterrânea nem universal.
Sobrados
Casa urbana de mais de um pavimento, em geral com uso comercial no térreo e moradia acima.
Stamp duty
Imposto do selo sobre jornais, pesado na Grã-Bretanha até 1855, que encarecia a folha e limitava o público.
Subúrbio ferroviário
Faixa de moradia ligada ao centro por trem e, em parte, por bonde, com população trabalhadora crescente.
Taberna
Loja ou tasca no térreo, aberta para a rua, unidade básica do varejo urbano.
Taipa de pilão
Parede de terra compactada entre taipais de madeira, comum em várias vilas coloniais.
Tamkarum (dam-gàr)
Mercador, muitas vezes ligado a palácio ou a templo, que opera caravana, crédito e encomenda.
Tarifa
Preço da passagem, objeto de campanha de imprensa, motim e cálculo doméstico semanal.
Taverna
Lugar cotidiano de vinho, jogo e notícia para artesãos e jornaleiros, regulado e vigiado.
Tear de cintura
Tear portátil, comum em várias regiões das Américas, no qual o tecido se tensiona entre o corpo da tecelã e um ponto fixo.
Telegrama
Notícia resumida chegada por cabo, base das seções internacionais e de bolsa.
Telégrafo elétrico
Rede de fios e postos que transmitia mensagens por código, separando a notícia do transporte físico do papel.
Tembetá
Adorno inserido no lábio inferior, com formas e materiais variáveis conforme o povo e o estatuto da pessoa.
Teoria humoral
Doutrina médica que ligava banhos, poros e humores; podia recomendar ou desaconselhar o mergulho conforme a estação e o temperamento.
Terceira classe
Categoria mais barata do trem, com menor abrigo e maior densidade de passageiros nas décadas iniciais.
Terra preta
Solo escuro e fértil de origem antrópica na Amazônia, associado a ocupações prolongadas e a aldeias, não a acampamentos ocasionais.
Terreiro
Pátio de secagem do café (ou de outros grãos), espaço central da fazenda cafeeira.
Tese de Ariès
Hipótese de que a infância moderna nasceu com o retrato e a escola da Idade Moderna; revista pela historiografia posterior.
Thurn und Taxis
Linhagem que operou rotas postais no Sacro Império e em outras terras, cobrando porte a príncipes e particulares.
Tração animal
Sistema em que o carro corre sobre trilhos puxado por muares, anterior ou paralelo à eletrificação em várias cidades.
Tropa
Comboio de mulas com tropeiro, carga e pousos; principal transporte terrestre de mercadoria em várias regiões.
Trotula
Conjunto de textos salernitanos sobre o corpo feminino, de autoria e compilação debatidas, lido em latim e em vernáculo.
Turil / talha
Vasilhame de barro para água, azeite ou grãos, peça central da despensa doméstica.
Tábliino
Cômodo entre o átrio e o interior, usado como arquivo, escritório e lugar de receber clientes.
Têmpera
Técnica de pintura a ovo sobre tábua, dominante na Itália do Quattrocento antes da difusão do óleo.
Uncu
Túnica andina, em geral masculina, cuja qualidade e motivo podiam indicar origem e posição.
Urinol
Recipiente noturno de cerâmica ou metal; seu conteúdo ia à rua, à latrina ou, em alguns usos, à tina de curtume.
Urucum
Semente de cor vermelha ou alaranjada, empregada como pigmento corporal e, em alguns contextos, alimentar.
Usura
Na doutrina canônica, lucro ilícito sobre o empréstimo; na prática, objeto de rodeios contratuais e de estigma.
Valongo
Área do Rio de Janeiro que concentrou, no período colonial tardio e no Império inicial, o desembarque e o mercado de africanos escravizados.
Vapor fluvial
Barco a vapor usado em rios e estuários, decisivo antes ou à margem da malha ferroviária.
Vela de sebo
Vela de gordura animal, barata, de fumaça e cheiro fortes, base da luz popular no início do século.
Veludo e brocado
Tecidos de prestígio, muitas vezes com ouro ou desenho relevado, concentrados em cortes, igrejas e patrimônios ricos.
Ventre livre (princípio do ventre)
Regra segundo a qual o estatuto da criança seguia o da mãe: filha de escravizada nascia cativa, salvo alforria.
Via (cópia)
Duplicata da mesma carta enviada por outro navio ou mensageiro, para vencer perda e naufrágio.
Viandier
Coletânea de receitas francesas associada ao cozinheiro Taillevent, testemunho de cozinha de corte no século XIV.
Vila operária
Conjunto habitacional ligado à empresa, com regras de conduta e desconto em folha.
Villa rustica
Conjunto rural que combina moradia do proprietário, instalações agrícolas e alojamento da mão de obra.
Visitação
Inquérito do Santo Ofício em territórios sem tribunal residente, que recolhia denúncias de bigamia, sodomia e feitiço.
Voto censitário residual
Na prática republicana inicial, o voto permaneceu restrito a homens alfabetizados, excluindo a maioria da população.
Átrio
Pátio de entrada, em geral coberto em parte, com abertura (complúvio) e tanque (implúvio) para água da chuva.
Ínsula
Bloco de andares com lojas no térreo e cômodos alugados acima, típico de Roma e Óstia.